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Transtorno Cognitivo Leve
19 jun

Transtorno Cognitivo Leve

Comprometimento Cognitivo Leve, é uma condição clínica própria do envelhecimento natural, que se caracteriza pelo prejuízo de uma ou mais funções cerebrais, decorrente de mudanças na fisiologia do cérebro como: alterações de tecidos, perda de células e, consequentemente, a diminuição das conexões neurais. 

CCL (Comprometimento Cognitivo Leve), também conhecido como Declínio Cognitivo Leve ou ainda Distúrbio Cognitivo Leve, tem como consequência a lentificação da capacidade para adquirir novas habilidades, assim como para recuperar material recentemente aprendido. Como as funções cerebrais trabalham de forma conjunta, a queda de aspectos ligados ao processamento da infomação, afeta a apredizagem podendo também, provocar mudanças comportamentais no adulto que passa a lidar com limitações como: lentificação de pensamento, dificuldade de percepção, erros na interpretação de elementos do ambiente e instabilidade do humor. A dificuldade em aprender coisas novas, pode afetar a qualidade de vida do envelhecente que, aos poucos, deixa de realizar as mesmas atividades que sempre realizou e passa a interagir menos nos ambientes familiar, profissional e social. 

Os primeiros sinais de CCL, comumente, são notados pela redução na capacidade para reter novas informações e o adulto/idoso começa a se queixar de falhas na memória de curto prazo como: esquecer compromissos, não se lembrar de todos os ítens de uma lista de compras que não necessitava de anotação prévia, "perder o fio da meada" ou seja, sentir-se perdido no meio de uma aula, leitura, filme  ou demorar mais tempo que o usual para se localizar em lugares conhecidos. A produtividade fica então reduzida, uma vez que o idoso desacelera o rítimo de suas atividades, embora seja capaz de gerir sua vida com autonomia. Ainda que a independência esteja preservada, esse quadro pode impactar na qualidade de vida do adulto/idoso que, geralmente, não busca uma avaliação clínica para que sejam identificadas as alterações cognitivas e se as causas fazem parte do processo de envelhecimento natural ou se são patológicas. Essa negligência, frequentemente ocorre porque ao notar sinais de prejuízo no seu cotidiano, o adulto/idoso atribui sua condição à um desgaste normal para a sua idade e acredita ter entrado em um processo irremediável de perdas, que irá evoluir para a instalção de outras doenças. O adulto, acreditando ter entrado em uma fase da vida marcada pelo esquecimento e confusão mental, reduz suas atividades e compromissos e adota uma atitude de isolamento que, gradativamente, pode desencadear doenças emocionais.

Vale ressaltar que a condição contrária também ocorre. No envelhecimento, como apontamos, há a diminuição de algumas funções cerebrais e uma das mudanças que pode ocorrer, é no funcionamento psíquico. Nesse caso, o desinteresse do idoso pelas atividades de seu entorno, é causado pela desordem emocional que traz sentimentos negativos como: desesperança, sentimento de menos valia, medo ou tristeza e levam o idoso a adotar uma atitude de isolamento que, progressivamente, pode evoluir para quadros como depressão ou ansiedade. 

Na senescência, é natural que ocorra um declínio cognitivo sem que haja a presença de alguma patologia, no entanto, o CCL é considerado uma provável transição para quadros demenciais, portanto, é preciso ficar atento quando se torna perceptível mudanças cognitivas ou comportamentais no idoso.  

Quando uma pessoa idosa começa a manifestar lentificação no desempenho de atividades rotineiras ou dificuldade em executar tarefas simultâneas sem se confundir e/ou apresentar queixas de esquecimentos frequentes, é importante que se faça uma avaliação à fim de identificar a causa dessa alteração. Os riscos de desenvolvimento de CCL tem sido relacionados à fatores de ordem genética, infecciosa como a Covid-19, comportamentais ou danos causados no cérebro de forma cumulativa que em anos, podem causar a disfunção.

Doenças degenerativas, alterações endócrinas ou metabólicas como hipertensão e diabetes, lesões vasculares como Acidente Vascular Encefálico (AVE), deficiência vitamínica, doenças neuropsiquiátricas, efeito de interação medicamentosa, baixa escolaridade, pouco contato social, atividade intelectual empobrecida, trauma craniano, sedentarismo, abuso de substâncias tóxicas (tabagismo, alcoolismo), percepção da vida ou da própria saúde com negativismo, transtorno do sono, ansiedade e depressão, constituem fatores de risco para CCL que podem preceder ou não, o desenvolvimento de Síndrome Demencial.

O diagnóstico precoce do CCL objetiva identificar as causas tratáveis, além de distinguir os casos com maior risco de conversão para demências. Na avaliação são investigadas funções cognitivas como: memória, atenção, pensamento, linguagem, orientação, raciocínio, compreensão, controle sensorial, cálculo e planejamento, capacidade intelectual, julgamento, saúde emocional e comportamento social. Na análise, o desempenho em atividades cotidianas é de fundamental importância, uma vez que a funcionalidade  preservada, pode ser um indicativo da ausência de um quadro demencial. A Doença de Alzheimer (DA) está relacionada ao Declínio Cognitivo Funcional e da perda gradual das suas capacidades levando o idoso, gradativamente, a necessitar de ajuda na realização das tarefas da sua vida diária.

O CCL causado pelas mudanças fisiológicas decorrentes do processo natural de envelhecimento, afeta a acapacidade de interagir e de produzir do idoso, porém, apesar das dificuldades, ele consegue manter sua independência e autonomia. A evolução para doenças degenerativas ocorre, quando a causa do CCL está associada à condições patológicas, podendo acelerar a transição entre os eventos próprios da senilidade e a progressão para doenças degenerativas. Nesse quadro observa-se um crescente prejuízo no desempenho do envelhecente, até a perda total da sua autonomia e a consequente dependência de familiares ou cuidadores.

 

A partir da avaliação e do diagnóstico, é possível estabelecer o tratamento que pode ser medicamentoso e/ou comportamental. Para todos os casos, no entanto, a conduta envolve diversas estratégias à serem adotadas, onde é possível interromper ou reverter o quadro de CCL, assim como evitar ou reduzir a progressão de doenças degenerativas.

O tratamento de suporte conta com treino cognitivo (estimulação ou reabilitação das funções cerebrais), inclusão de atividade física na rotina do adulto, mudança no estilo de vida atentando para o lazer, a manutenção das relações sociais, atividades intelectuais, aquisição do hábito de leitura, alimentação saudável, atenção ao sono de qualidade, cautela no consumo de álcool ou tabagismo, controle das doenças crônicas e tratamento dos quadros emocionais. 

 

O CCL, é dividido em dois grandes sub tipos:

Comprometimento Cognitivo Leve Amnéstico - CCLa: quando ocorre o declínio da memória, podendo ser isolada (único domínio) ou juntamente com o declínio de outras funções cerebrais (múltiplos domínios).

Comprometimento Cognitivo Leve Não Amnéstico - CCLna: onde o comprometimento também pode ocorrer em um único domínio (DU), com exceção da memória ou quando o comprometimento afeta duas ou mais funções cognitivas (MD), sempre com a exceçção da memória, que se mantém preservada.

A avaliação é de crucial importância, visto que nem todos os pacientes que se encaixam no perfil de CCL, necessariamente, desenvolvem algum tipo de demência, no entanto, a maior parte dos casos que progridem para as demências, apresentam sintomatologia inicial com CCLaUD (Comprometimento Cognitivo Leve Amnéstico de Único Domínio) e em outro estágio, evolui para um Declínio Cognitivo Severo, com comprometimento progressivo da funcionalidade do idoso.  

O quadro inicial do CCL, comumente, se apresenta através da redução da memória de trabalho (armazenamento temporário), enquanto que a memória episódica (narra fatos das experiências de vida) pode ou não estar rebaixada. Na sequência, outras habilidades podem ser afetadas, como o prejuízo das funções da linguagem, a redução da atenção, a queda da velocidade de processamento da informação e o déficit sensorial (captação e interpretação dos estímulos, através dos sentidos). O Declíno é gradual e não há um padrão específico na sua instalação, no entanto, o esquecimento e a dificuldade para se lembrar de informações novas, são os primeiros sinais relatados pelos adultos de meia idade ou idosos que mais tarde, notam a presença de outras manifestações. 

O acompanhamento multidiciplinar pode, em alguns casos, evitar a progressão de doenças degenerativas e ainda que não haja medicamentos que bloqueiem as perdas cognitivas, é possível lançar mão de intervenções para reduzir, interromper o declínio ou até mesmo recuperar algumas funções, visto que a maioria dos quadros de CCL é reversível ou pode ser estabilizado. Sabe-se hoje que sem tratamento e orientação adequados, o paciente isolado fica susseptível à desenvolver patologias físicas e psicológicas. 

Atualmente, com o envelhecimento populacional acelerado é urgente a implantação de ações para informar e estimular os cuidados com a saúde global do adulto envelhecente, à fim de promover a manutenção da funcionalidade, da cognição, da autonomia e assim, possibilitando qualidade de vida.

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